PARTIDA E CHEGADA
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
Assim é a morte.
Como seres humanos que somos, o temor da morte é entendível, até mesmo como instinto de auto-preservação, que nos faz reagir a situações de perigo, buscando preservar o corpo físico, veículo indispensável para nosso aprendizado nesse plano. Mas ao Cristão, é preciso serenar-se, acalmar seu coração e desde já meditar acerca dessa certeza que todos temos. Ao cristão espírita, isso fica mais patente.
Se cremos nos ensinamentos do Cristo, devemos considerar que não somos deste mundo, nem estamos aqui para ficar. Tudo isso aclara-se ainda mais frente à filosofia espiritualista trazida pelos espíritos, através Allan Kardec e de tantos outros. Ante a morte (ou à partida) de um ente querido, é preciso que mantenhamos a calma, que meditemos os ensinamentos do evangelho, e creiamos em sua veracidade. A separação é temporária. O espírito continua sua jornada e não está para sempre separado de nós que aqui ficamos. Tal idéia iria de encontro ao amor de Deus, que é pai e não permitiria nosso sofrimento eterno distanciados daqueles que também amamos. Ademais, todos nós teremos que, também, cedo ou tarde, efetuar essa travessia. E como travessia que é, apenas leva o viajante a outras paragens, ocultando-o momentaneamente aos olhos dos que aqui ficam. Mas qual uma viagem feita de um continente a outro neste mundo, mantemos a certeza de que aquele que partiu, continua sendo, existindo, apesar de não tê-lo ao alcance da nossa vista. Temos ainda meios alternativos para com ele nos comunicarmos, que prescindem do contato físico outrora possível. Tudo isso serve de sustentáculo e alento tanto aos que vão quanto aos que ficam e reflete o amor de Deus, como pai que é.
Por isso, acredito que é de grande valia buscarmos aprender tudo o quanto for possível acerca dos ensinamentos de Jesus e também das interpretações que se tem dado a esses ensinos, independente dos núcleos religiosos onde se originam tais ensinamentos. Óbvio porem é que não se deve aceitar tudo aquilo que a nós chega, sem submetermos ao crivo da razão. Como disse Paulo na primeira epístola ao Tessalonicenses, “Examinai tudo. Retende o bem" (I Tess. 5:21). Mas é preciso buscar esse preparo espiritual para que não sejamos pegos de surpresa. A filosofia espírita muito tem a contribuir acerca desse tema. Sublimes são os ensinos que dela advêm. O texto de Victor Hugo, acima, é um bom exemplo. (CM)
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